Tuesday, July 25, 2017

Educar na curiosidade / Catherine L'Ecuyer

Sinopse:

Um livro essencial que se foca numa das mais prementes e disseminadas questões educativas dos dias de hoje: os efeitos da superestimulação (excesso de tecnologia, excesso de actividades extraescolares) no desenvolvimento infantil: a apatia das crianças, a falta de interesse por tudo (desde a escola à própria brincadeira).  

Como motivar crianças que não sabem sequer brincar, estudar, conversar, ouvir – ou esperar.

Por que temos cada vez mais crianças impacientes e agitadas? Crianças que perguntam: «A que brinco agora?» e que dizem, com o quarto repleto de brinquedos: «Não tenho nada para fazer!…»

Catherine L’Ecuyer, investigadora sobre educação, explica neste livro que o exagero dos estímulos externos, sobretudo visuais, mesmo nos métodos de ensino, nas escolas, está a ‘matar’ o instinto de curiosidade dos miúdos, aquilo que os leva a descobrir o mundo.

A criança acomoda-se e deixa de ter a capacidade de se encantar e espantar.

Em alguns casos, a sua dependência da superestimulação fará com que procure sensações cada vez mais fortes, com as quais também se acostumará, o que a levará a uma situação de apatia permanente e de falta de desejo.

Opinião:

Nos tempos que correm, há uma preocupação que bate à porta de quase todos os pais: o acesso precoce dos nossos filhos a computadores, telemóveis e tablets. Seja porque os próprios pais estão muitas vezes viciados nestes aparelhos (passando naturalmente esse vício aos filhos), seja porque a falta de tempo para realizar as tarefas domésticas nos leva a confiar os miúdos a estes aparelhos só para que estejam sossegados e nos deixem fazer o que é preciso, a verdade é que o excesso de tecnologia está a prejudicar o natural desenvolvimento dos mais pequenos.

A autora questiona: porque existem hoje tantas crianças com transtornos psicológicos? Porque está o tempo de concentração e de atenção das crianças cada vez mais curto? Porque dizem os avós que as crianças de hoje são tão diferentes das de antigamente? O livro vem debater esta questão e lançar a única receita que, excepção à regra, se deve aplicar a todos: a redução do tempo de exposição à tecnologia, um dos principais motivos da superestimulação a que os miúdos estão sujeitos, o que, segundo a autora, leva à apatia e à falta de desejo. Catherine L’Ecuyer alerta para a necessidade  de recuperar "o respeito pela essência da infância - pelos seus ritmos, a sua inocência e o seu sentido de mistério".

Sublinha-se que o mais importante é fomentar a brincadeira livre, o contacto com natureza e o saber estar em silêncio. Mas para isso, é preciso tempo, o que me leva, como sempre, a questionar a sociedade. Isto é tudo muito bonito e acertado, mas com o peso excessivo do trabalho na vida de todos nós, torna-se difícil cumprir uma tarefa na verdade tão simples.

Uma curiosidade: os responsáveis pelas empresas tecnológicas multinacionais em Silicon Valley colocarm os filhos em colégios que não utilizam as tecnologias nas salas de aula.  Trabalham no eBay, na Google, na Apple , na Yahoo e na Hewlett-Packard, mas os seus filhos não usam o google, escrevem à moda antiga (com lápis e papel) e têm salas equipadas com... quadros de ardósia! Aqui fica uma passagem do livro sobre este assunto:

O computador impede o pensamento crítico, desumaniza a aprendizagem, a interacção humana e diminui o tempo de atenção dos alunos. Um dos pais, o Sr. Eagle, formado em tecnologia e quadro do departamento de Comunicação Executiva da Google diz "A minha filha, que está no quinto ano, não sabe como usar o Google, e o meu filho, que está no oitavo, está a começar a aprender. A tecnologia tem o seu tempo e o seu lugar. É super fácil. É como aprender a usar a pasta de dentes. No Google e em todos esses sites, fazemos a tecnologia tão fácil que qualquer pessoa a pode usar. Não há razão para que as crianças não possam aprendê-la quando forem mais velhas!".

Saturday, July 22, 2017

Alegria / Marie Kondo

Sinopse:

«A vida realmente só começa depois de pormos a nossa casa em ordem. Foi por isso que devotei a maior parte da minha vida ao estudo da organização. Quero ajudar o maior número possível de pessoas a arrumar de uma vez por todas.Isto não significa, porém, que deva simplesmente livrar-se de tudo e mais alguma coisa. Longe disso. Só quando souber escolher as coisas que inspiram alegria poderá alcançar o seu estilo de vida ideal.(…) Pessoalmente, o que lhe inspira alegria? E o que não o faz? As respostas a estas perguntas constituem uma pista importantíssima para se reconhecer que recebeu a dádiva da vida.» "Alegria!" é um guia prático e ilustrado dos princípios do método KonMari, que ajudou já dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo a organizar o espaço em que vivem – e a transformar as suas vidas! Com dicas práticas para arrumar tudo – de roupas a CDs, de materiais de limpeza a brinquedos e objetos de coleção -, bem como indicações sobre os princípios básicos da arrumação e da organização («Uma casa com alegria é como o seu museu pessoal» ou «“Pode dar jeito” é um tabu»), este livro vai ajudá-lo a viver rodeado apenas daquilo que lhe traz realmente… alegria!

Opinião:

Li o livro por indicação de uma amiga e acho que foi obra do universo, uma vez que já estava sentir-me em stress profundo com a desarrumação reinante em minha casa. Não que seja uma acumuladora, pelo contrário, até tenho bastante desapego às coisas em geral. O meu maior problema é mesmo a organização da roupa, dos brinquedos do miúdo, bom, e porque não, dizê-lo? De tudo em geral! :D

O melhor do livro são as ilustrações, que ensinam a dobrar roupa variada, com dicas que já estou a colocar em prática! Além disso, adorei a abordagem que, à partida, parece um pouco lunática, de pegar num objecto e sentir se ele nos proporciona ou não alegria, sendo essa a forma de decisão sobre se devemos ou não mantê-lo.

É óbvio que a autora leva a arrumação a um nível demasiado obsessivo, mas isso não me incomoda, afinal, não será necessário seguir à risca todas as recomendações de forma a obter um resultado bastante satisfatório. No que me toca, vou sobretudo manter-me fiel a duas regras: guardar só o que me traz alegria e arrumar tudo na vertical.

Embora a autora não mencione o impacto ambiental de descartar, acho que uma arrumação mais consciente leva-nos inevitavelmente a reduzir o consumo desenfreado a que nos habituámos nos últimos tempos. Já para não falar no imenso benefício mental de viver num espaço organizado, limpo e com apontamentos que nos enchem o coração.

Recomendo vivamente!

Thursday, January 5, 2017

Amanhã é dia de Reis, por isso...

... acho que ainda vou a tempo de publicar a decoração de Natal da minha chafarica, com inspiração numa conhecida frase do Dr. Seuss. Os enfeites da árvore foram feitos em massa de sal e carimbos.





Já vos disse que adoro o Natal? Bom, para o ano há mais!

Tuesday, December 27, 2016

E assim de repente, estamos no final do ano!

Dezembro foi um mês para esquecer. Uma malvada gripe apanhou-me logo no dia 1, espalhou-se pela restante família e só agora deu tréguas. Ainda por cima, fiz o favor de dar um jeito ao pescoço, o que me impossibilitou totalmente de ler.

Apesar de ter falhado a parte do Feliz Natal, não podia deixar faltar o habitual balanço do ano. Sendo que já só me restam 2 dias de trabalho e só consigo ler nos transportes, dou por finalizado o desafio de leitura para 2016. Acho que não me portei muito mal :)


Sim, eu sei que este número pode parecer meh para muita gente, mas foi o que se pôde arranjar com o pouco tempo disponível que tenho!   :P

Posto isto, resta-me desejar boas entradas. Venha 2017! De preferência, com resmas de livros!


Wednesday, December 21, 2016

Friday, December 16, 2016

Delicioso bizarro: contos e outras histórias #3 Padrão perpétuo

A Maria revelou-se uma alma teimosa desde cedo. Ainda no ventre da mãe, foi caso único, surpreendendo com a sua extraordinária gestação de 15 meses. "Esta criança não quer nascer!", repetiam os médicos entre suores e elevado desespero, verificada a ineficiência do parto induzido e frustrada a tentativa de cesariana, recusando-se a barriga daquela mulher a rasgar-se mesmo perante os mais afiados instrumentos cirúrgicos.

Quando por fim achou que era tempo de vir ao mundo, apresentou-se sem chorar. Não fosse o vigor que colocara nas pequenas mãos ao agarrar o braço da enfermeira, e todos pensariam que havia nascido morta. Contra tudo o que seria de esperar, depois de realizados os devidos exames, concluiu-se a sua invejável saúde.

Porém, o espanto havia de fazer-se de novo convidado quando começou a falar e a escrever muito antes do tempo. Não só na própria língua como também em francês, inglês e alemão. "É um génio" diziam os doutores, não imaginando que o universo, numa perversa tentativa de equilíbrio das forças da natureza,  dotara aquela rapariga de um terrível padrão de comportamento: a atracção por tudo aquilo que ela própria sabia ser-lhe prejudicial.

Começou por ser apenas uma estranha propensão para o perigo. Teimava em agarrar as pontas das facas, entalava os dedos nos armários e nas gavetas, insistia em subir bancos e cadeiras para espreitar à janela. Como acção preventiva, livrou-se a mãe de tudo quanto era objecto cortante ou líquido tóxico que pudesse lembrar-se de ingerir, selando ainda a cadeado todos os móveis da casa. Inutilizou também a lareira e colocou portadas nas janelas. Rezou para que nenhum mal lhe chegasse.

Mas depressa deixou de poder mantê-la na sua redoma. Na escola, a Maria seguia arranjando conflitos, desafiando professores e experimentando as mais diversas proibições, chegando à fase adulta com um longo historial de relações abusivas. Não houve sermão, tareia ou castigo capaz de mudar aquela destrutiva característica. Como um condutor suicida, levava tudo até às últimas consequências.

Um dia, depois de vários meses sem aparecer à mãe, bateu-lhe à porta. Em lágrimas, queria esconder-se do namorado, um traficante de droga que a sufocava com um desmesurado sentimento de posse. Obsessivo, depressa deu com ela, bastando-lhe meia dúzia de juras de amor e promessas de mudança para que voltasse a cair em graça.

A mãe, vendo que se deixava levar de novo na cantiga do bandido, colocou-se entre os dois, pois se havia lição que a vida lhe ensinara era a de que ninguém muda por ninguém. A discussão estalou e os gritos  sucederam-se. O homem tentava reaver o brinquedo, a mulher defendia a cria e a Maria lançava agora impropérios contra a mãe,  que a impedia de estar com o homem que amava.
No meio da confusão, o traficante puxou de uma arma e baleou a mãe, que morreu ali mesmo.

O homem apanhou prisão perpétua.

A Maria amaldiçoou-o e lamuriou-se muito. Depois, juntou-se com um bêbado.

Thursday, November 24, 2016

Delicioso bizarro: contos e outras histórias #2 CR 80

Acabada de sair da universidade, a Raquel transbordava entusiasmo, mal podendo esperar por entrar no mercado de trabalho. Por ter sido excelente aluna, depressa conseguiu lugar numa das melhores empresas do país.

Desejosa por mostrar o seu valor, cumpria todo o serviço com imensa rapidez e perfeição. Ajudava os colegas sempre que podia, oferecia-se para fazer horas extraordinárias e nunca faltava ou chegava atrasada. Assim, depressa se tornou querida por todos.

A chefe, sabendo que tinha finalmente uma funcionária com a qual podia contar, foi delegando na Raquel todo o tipo de empreitadas. Contente com o voto de confiança, a rapariga esforçava-se como ninguém e tudo fazia para não desapontar. Até que o trabalho começou a chegar em demasia, sendo humanamente impossível de cumprir.

"Ainda não fez o que lhe mandei? Porquê?"; "Isto já devia estar pronto há uma semana"; "Eu não lhe disse que era urgente"?.

E enquanto a Raquel, afogada em tarefas, quase tinha um esgotamento, vários colegas passeavam pelo escritório, comentando a actualidade, o último derby ou queimando horas ao telefone com a família.

Cinco anos depois, a Raquel estava profundamente envelhecida. O cansaço era tal que a eficiência de outros tempos havia há muito desaparecido. Um dia, porque o stress do trabalho andava a afectar-lhe o sono, pediu para sair mais cedo, coisa que nunca acontecera. Mas era o seu dia de estar no atendimento ao público e por isso tinha de ser substituída. "Fale com os seus colegas", cuspiu a chefe. E as respostas não tardaram: "Não posso, tenho um papel para fazer"; "A Dra. Ana não me quer no atendimento"; "Estou doente"; "Também vou sair mais cedo"; "Não me pagam para isto"; "Tenho muito trabalho". 

Sem ninguém para substituí-la, não teve outra hipótese senão dirigir-se ao balcão.

Mas a Raquel, já não era a Raquel. E quando alguém lhe perguntou a que horas encerravam, ficou a contemplar o vazio. A pergunta ouviu-se de novo, mas o fenómeno já estava em curso. Uma força desconhecida começou a sugar a Raquel cirurgicamente na zona do coração, um buraco negro que se abria e crescia, engolindo primeiro a rapariga e depois a loja com os respectivos clientes, alastrando ainda a todo o edifício. Quando parecia que iria devorar tudo à sua volta, o acontecimento cessou, ficando circunscrito ao local onde antes se encontrava a empresa.

As autoridades registaram a ocorrência e a zona foi invadida por astrónomos, matemáticos e toda a espécie de curiosos. Mais tarde, devidamente estudado e catalogado, depressa deixou de ser novidade. Colocaram-se então protecções nos seus limites, e passou este poço sem fundo a ser local de peregrinação de homens e mulheres zangados com os seus amores, que largavam no abismo fotografias, anéis e qualquer outro objecto que guardasse as memórias que queriam esquecer.

Thursday, November 10, 2016

João e o pé de feijão

Em Novembro, destacam-se os contos tradicionais na sala infantil. Plantei um feijão e nasceu um feijoeiro mágico!




Já que estamos numa de atrasos...

... aproveito também para publicar o destaque do mês dedicado à música. Modéstia à parte, o meu pianinho, feito em cartão, ficou um mimo!





Halloween!

Por lapso, esqueci-me de partilhar as decorações de Halloween cá da chafarica. Ainda que com grande atraso, cá estão elas:

A minha obra mais amada... já tinha visto isto há anos no pinterest e estava mortinha para tentar!

Aragog :)

O cantinho do prof. Snape

Sou tão potterhead...

Um leitor é sempre um leitor, mesmo morto!

O boneco construído para a actividade "O monstro das cores" foi reaproveitado!

Leituras de arrepiar...


Gostaram?

Wednesday, November 9, 2016

As histórias de terror do navio negro / Chris Priestley; il. David Roberts

Sinopse:

Na Velha Estalagem, sobre um mar tempestuoso, Ethan e Cathy esperam a chegada do pai. Entretanto, um marinheiro aparece em busca de abrigo.

Começa, assim, uma longa noite de histórias aterradoras… há algo neste homem que inquieta Ethan e Cath, mas não sabem o que poderá ser.

É então que o amanhecer abre os olhos das crianças para uma realidade ainda mais chocante e angustiante do que a das histórias que acabaram de ouvir.

Um livro assustador. Terás coragem para o ler?

Opinião:

Não é mau, mas está longe de ser um espanto. Acredito que possa ser apreciado por rapazes entre os 10 e os 13 anos, sobretudo se vibram perante histórias de piratas e marinheiros com algum macabro à mistura. A meu gosto, só a ilustração, em estilo gótico. De qualquer forma, não foi o que estava à espera, pelo que continuo à procura de um livro que, de facto, me dê arrepios. Aceito sugestões.

Thursday, October 27, 2016

Harry Potter and the cursed child: parts 1 and 2 / J. K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne

Sinopse:

"It was always difficult being Harry Potter and it isn’t much easier now that he is an overworked employee of the Ministry of Magic, a husband and father of three school-age children.

While Harry grapples with a past that refuses to stay where it belongs, his youngest son Albus must struggle with the weight of a family legacy he never wanted. As past and present fuse ominously, both father and son learn the uncomfortable truth: sometimes, darkness comes from unexpected places".

Opinião:

Apesar da minha conhecida paixão pelo universo Harry Potter, parti para esta leitura sem grandes expectativas, não só por se tratar do guião de uma peça de teatro, mas também por ter encontrado inúmeras críticas que prometiam um verdadeiro desastre.

Para tirar teimas, não há como "ler" com os próprios olhos. E tenho a dizer que... foi maravilhoso regressar a este mundo de magia! É claro que não senti a mesma emoção quando li os primeiros 7, sendo a forma pouco propícia a isso - fica a faltar o trabalho dos actores! No entanto, senti um carinho enorme ao redescobrir os locais e as personagens que ficarão para sempre no meu imaginário. Há quem defenda que o guião deveria ser adaptado a romance, mas não poderia discordar mais! Esta foi uma forma genial de celebrar a saga sem mexer no que ficou feito e concluído. Clever girl, J. K.!



Não leva as 5 estrelas porque as viagens no tempo irritam-me tanto quanto me fascinam. Sinto sempre que há falhas nisto de ir e vir. Por exemplo, se o Albus e o Scorpius continuam com as mesmas memórias quando regressam da primeira viagem temporal, isso significa que não são afectados pelas alterações que as suas acções causaram no passado. No entanto, na segunda viagem, o Albus não regressa porque nunca chegou a nascer... enfim, incoerências que me provocam alguns nervos.

Gostei da temática pai/filho desentendidos (sempre actual); da amizade pura nascida entre filhos de dois super rivais; da chamada de atenção para a importância de aceitar as coisas más da vida, devendo o passado ficar onde pertence. E depois, a lagrimita no canto do olho ao reencontrar o meu querido Snape.

O pior é que agora já só consigo pensar em dar um pulo a Londres para ver a peça. Vou já começar a fazer um pé de meia!

Friday, October 7, 2016

O lar da senhora Peregrine para crianças peculiares / Ransom Riggs

Sinopse: 

Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde encontra as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine. Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tivessem sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas… 

Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense.

Opinião:

Já andava a namorar este livro há uns meses só pelo aspecto gráfico, que é absolutamente fabuloso. Porém, terminada a leitura, custa-me dar-lhe uma avaliação concreta. Porque, se por um lado, nunca me senti absolutamente mergulhada na história, o que é sempre trágico tratando-se de fantasia, por outro, agradou-me a sua originalidade e o casamento perfeito das fotografias vintage com o enredo. Ou seja, senti que as ideias eram matéria prima da boa, mas que a forma de escrever do autor não esteve à altura. Não me entendam mal: achei o livro engraçado, mas não consigo parar de imaginar o que teria sido nas mãos de um Ruiz Carlos Zafón.

Além disso, houve uma coisa que me fez um pouco de confusão: estava à espera de encontrar crianças na ilha quando na volta já eram adolescentes. Fiquei sempre com essa ideia, e por isso, incomodaram-me os beijos trocados entre o Jacob e a Emma.

Assim sendo, suponho que poderei colocar o livro algures entre as 3 e as 4 estrelas, numa espécie de vórtice 3,5.   :D

Curiosidade:

No site, o autor confessa que adora coleccionar fotografias antigas, ou não fossem elas o ponto de partida desta história! Sim, todas as fotos usadas no livro são verdadeiras, "emprestadas dos arquivos pessoais de dez colecionadores, pessoas que durante incontáveis horas ao longo de anos reviraram montes desordenados de fotografias instantâneas em feiras da ladra, antiquários e vendas de garagem até encontrarem um pequeno número de reproduções invulgares". Podem espreitar algumas (não publicadas) aqui. Eu roubei as minhas favoritas, e agora não consigo deixar de pensar se um dia, daqui a muitos, muitos anos, alguma fotografia minha não poderá inspirar um romance!  :)






Agora é marchar para o cinema e ver o filme, que já se sabe, tudo o que tem o dedo do Tim Burton, só pode ser bom. Até estou à espera de gostar muito mais do filme do que do livro, coisa raríssima. Mas depois direi de minha justiça!