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Saturday, January 13, 2018

A tábua de Flandres / Arturo Pérez-Reverte

Sinopse:

No fim do século XV, um velho mestre flamengo introduz num dos seus quadros, sob a forma de uma partida de xadrez, a chave de um segredo que poderia ter mudado a história da Europa. Cinco séculos depois, uma jovem restauradora de obras de arte, um antiquário homossexual e um excêntrico jogador de xadrez conjugam os seus esforços para tentar resolver o enigma. A investigação conduzi-los-á através de uma apaixonante pesquisa na qual os lances do jogo irão abrindo as portas de um mistério que acabará por envolver todos os seus protagonistas. "A Tábua de Flandres" é um apaixonante jogo de armadilhas e inversões - pintura, música, literatura, história, lógica matemática - que Arturo Pérez-Reverte vai encadeando com diabólica destreza.

Opinião:

Fugi à regra das leituras infanto-juvenis porque uma utilizadora habitual da biblioteca onde trabalho disse-me que imaginou a personagem Júlia à minha semelhança.  Hummm... Não sei porque lhe terá ocorrido semelhante ideia, mas pronto, tudo bem!
Sinceramente, não gostei. A escrita do autor tem demasiadas referências culturais/intelectuais que não acrescentam nada à história nem embelezam o texto, o que me levou a ler vários excertos na diagonal. Além disso, as personagens são presunçosas e a motivação do assassino, ridícula! Uma desilusão!

Friday, October 2, 2015

Se eu fosse chão / Nuno Camarneiro

Sinopse: Num grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue. Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de Se Eu Fosse Chão – diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas – contam histórias a quem as queira escutar."

Opinião:

Nunca tinha lido nada do autor e parece-me que este não é o livro certo para uma primeira apresentação.

Gostei da maneira de escrever do Nuno, mas as pequenas histórias, na sua grande maioria, não me deixaram satisfeita, não por serem curtas, mas por deixarem demasiado a adivinhar, como se fossem páginas arrancadas de um livro ou contos inacabados (houve apenas umas poucas que achei bem conseguidas). E porque as histórias nunca se cruzam (algo que estava à espera que acontecesse, uma vez que se passam no mesmo hotel), ficou-me um sentimento de vazio, como se o livro, na sua totalidade, não fizesse sentido.

Porém, fica o desejo de ler os romances do autor, porque como disse no princípio, gostei imenso da sua maneira de escrever.

Thursday, September 10, 2015

O bibliotecário / A. M. Dean

Sinopse: Arno Holmstrand, um reputado académico, deixa um conjunto de pistas à jovem professora universitária Emily momentos antes de ser assassinado. Esta inicia então uma busca tão inesperada quanto perigosa: a localização da biblioteca perdida de Alexandria.

Opinião: Apesar da "advertência" que indicava um livro à "Dan Brown" (pouco ao meu gosto), arrisquei a leitura porque sou licenciada em história e trabalho numa biblioteca. Porém, achei as referências históricas minúsculas, sobretudo tendo em conta que se pode ler na capa que o livro é o resultado de uma profunda pesquisa histórica. Os enigmas não me convenceram, bem como a trama. E porque se trata de uma sucessão de acontecimentos num curto espaço de tempo, com personagens nada desenvolvidas, tornou-se numa leitura desinteressante. Não recomendo.

Saturday, August 8, 2015

A loja dos suicídios / Jean Teulé

Sinopse:

Morto ou reembolsado!». Eis o slogan da Maison Tuvache, uma lojinha que comercializa tudo o que há de mais fino e eficaz para a lúgubre empresa do suicídio. Há dez gerações que a Loja dos Suicídios satisfaz 100% da clientela: morrem todos e não fica nenhum para reclamar. Mas a família recebe um novo elemento, a criança que traz com ela uma terrível maldição: a alegria de viver. O pequeno Alan passa os dias a cantarolar, a consolar os clientes e, pior que tudo, a rir. Sim, Alan gargalha. Alan é um otimista. E prepara-se para sabotar o próspero negócio de família.

Opinião:

Num futuro onde a terra está a sofrer as consequências de uma economia pouco sustentável, a depressão parece ter tomado conta de todos, sendo a taxa se suicício altíssima. A Loja dos suicídios, ao cuidado da família Tuvache, garante: "Se a sua vida foi um fracasso, connosco a sua morte será um sucesso!".

Na pequena loja com ares de morgue, qualquer desesperado pode encontrar a forma de suicídio mais adequada, havendo para todos os gostos... e bolsas.

Mas porque toda a família tem a sua ovelha negra, o terceiro filho do casal vem romper com uma longa descendência de depressivos crónicos, atrevendo-se a sorrir e a ser feliz!

Só para terem uma ideia, deixo-vos esta passagem:

"- Alan!... Quantas vezes será preciso dizer? Não se diz «Até à vista» aos fregueses que saem daqui - Diz-se «Adeus», pois nunca mais voltam. [...] - E pára de cantarolar - e imita-o: - «Bom diiiiia» quando entram pessoas. Deve dizer-se com ar lúgubre: «Mau dia, minha senhora...» ou: «Desejo-lhe uma grande noite, senhor.» E sobretudo, deixa de sorrir! Queres afugentar os fregueses?... Mas que mania é essa de receber as pessoas a fazer olhinhos e com os dedinhos de cada lado das orelhas? Achas que os fregueses vêm cá ver o teu sorriso? É insuportável, mas que coisa.Vamos pôr-te um aparelho ou mandar operar-te!".

Já me disseram por diversas vezes que tenho um sentido de humor bem negro, pelo que não poderia deixar de apreciar bastante esta leitura. A ideia de partida é excelente e original, e o livro dá vontade de rir muitas vezes, pelo menos até metade da história. Mas porque o humor está sempre montado na tragédia, confesso que no final soltei uma lágrima ou duas de tristeza. Adorei e recomendo!