Thursday, January 5, 2017

Amanhã é dia de Reis, por isso...

... acho que ainda vou a tempo de publicar a decoração de Natal da minha chafarica, com inspiração numa conhecida frase do Dr. Seuss. Os enfeites da árvore foram feitos em massa de sal e carimbos.





 Já vos disse que adoro o Natal? Bom, para o ano há mais!

Tuesday, December 27, 2016

E assim de repente, estamos no final do ano!

Dezembro foi um mês para esquecer. Uma malvada gripe apanhou-me logo no dia 1, espalhou-se pela restante família e só agora deu tréguas. Ainda por cima, fiz o favor de dar um jeito ao pescoço, o que me impossibilitou totalmente de ler.

Apesar de ter falhado a parte do Feliz Natal, não podia deixar faltar o habitual balanço do ano. Sendo que já só me restam 2 dias de trabalho e só consigo ler nos transportes, dou por finalizado o desafio de leitura para 2016. Acho que não me portei muito mal :)


Sim, eu sei que este número pode parecer meh para muita gente, mas foi o que se pôde arranjar com o pouco tempo disponível que tenho!   :P

Posto isto, resta-me desejar boas entradas. Venha 2017! De preferência, com resmas de livros!


Wednesday, December 21, 2016

Friday, December 16, 2016

Delicioso bizarro: contos e outras histórias #3 Padrão perpétuo

A Maria revelou-se uma alma teimosa desde cedo. Ainda no ventre da mãe, foi caso único, surpreendendo com a sua extraordinária gestação de 15 meses. "Esta criança não quer nascer!", repetiam os médicos entre suores e elevado desespero, verificada a ineficiência do parto induzido e frustrada a tentativa de cesariana, recusando-se a barriga daquela mulher a rasgar-se mesmo perante os mais afiados instrumentos cirúrgicos.

Quando por fim achou que era tempo de vir ao mundo, apresentou-se sem chorar. Não fosse o vigor que colocara nas pequenas mãos ao agarrar o braço da enfermeira, e todos pensariam que havia nascido morta. Contra tudo o que seria de esperar, depois de realizados os devidos exames, concluiu-se a sua invejável saúde.

Porém, o espanto havia de fazer-se de novo convidado quando começou a falar e a escrever muito antes do tempo. Não só na própria língua como também em francês, inglês e alemão. "É um génio" diziam os doutores, não imaginando que o universo, numa perversa tentativa de equilíbrio das forças da natureza,  dotara aquela rapariga de um terrível padrão de comportamento: a atracção por tudo aquilo que ela própria sabia ser-lhe prejudicial.

Começou por ser apenas uma estranha propensão para o perigo. Teimava em agarrar as pontas das facas, entalava os dedos nos armários e nas gavetas, insistia em subir bancos e cadeiras para espreitar à janela. Como acção preventiva, livrou-se a mãe de tudo quanto era objecto cortante ou líquido tóxico que pudesse lembrar-se de ingerir, selando ainda a cadeado todos os móveis da casa. Inutilizou também a lareira e colocou portadas nas janelas. Rezou para que nenhum mal lhe chegasse.

Mas depressa deixou de poder mantê-la na sua redoma. Na escola, a Maria seguia arranjando conflitos, desafiando professores e experimentando as mais diversas proibições, chegando à fase adulta com um longo historial de relações abusivas. Não houve sermão, tareia ou castigo capaz de mudar aquela destrutiva característica. Como um condutor suicida, levava tudo até às últimas consequências.

Um dia, depois de vários meses sem aparecer à mãe, bateu-lhe à porta. Em lágrimas, queria esconder-se do namorado, um traficante de droga que a sufocava com um desmesurado sentimento de posse. Obsessivo, depressa deu com ela, bastando-lhe meia dúzia de juras de amor e promessas de mudança para que voltasse a cair em graça.

A mãe, vendo que se deixava levar de novo na cantiga do bandido, colocou-se entre os dois, pois se havia lição que a vida lhe ensinara era a de que ninguém muda por ninguém. A discussão estalou e os gritos  sucederam-se. O homem tentava reaver o brinquedo, a mulher defendia a cria e a Maria lançava agora impropérios contra a mãe,  que a impedia de estar com o homem que amava.
No meio da confusão, o traficante puxou de uma arma e baleou a mãe, que morreu ali mesmo.

O homem apanhou prisão perpétua.

A Maria amaldiçoou-o e lamuriou-se muito. Depois, juntou-se com um bêbado.

Thursday, November 24, 2016

Delicioso bizarro: contos e outras histórias #2 CR 80

Acabada de sair da universidade, a Raquel transbordava entusiasmo, mal podendo esperar por entrar no mercado de trabalho. Por ter sido excelente aluna, depressa conseguiu lugar numa das melhores empresas do país.

Desejosa por mostrar o seu valor, cumpria todo o serviço com imensa rapidez e perfeição. Ajudava os colegas sempre que podia, oferecia-se para fazer horas extraordinárias e nunca faltava ou chegava atrasada. Assim, depressa se tornou querida por todos.

A chefe, sabendo que tinha finalmente uma funcionária com a qual podia contar, foi delegando na Raquel todo o tipo de empreitadas. Contente com o voto de confiança, a rapariga esforçava-se como ninguém e tudo fazia para não desapontar. Até que o trabalho começou a chegar em demasia, sendo humanamente impossível de cumprir.

"Ainda não fez o que lhe mandei? Porquê?"; "Isto já devia estar pronto há uma semana"; "Eu não lhe disse que era urgente"?.

E enquanto a Raquel, afogada em tarefas, quase tinha um esgotamento, vários colegas passeavam pelo escritório, comentando a actualidade, o último derby ou queimando horas ao telefone com a família.

Cinco anos depois, a Raquel estava profundamente envelhecida. O cansaço era tal que a eficiência de outros tempos havia há muito desaparecido. Um dia, porque o stress do trabalho andava a afectar-lhe o sono, pediu para sair mais cedo, coisa que nunca acontecera. Mas era o seu dia de estar no atendimento ao público e por isso tinha de ser substituída. "Fale com os seus colegas", cuspiu a chefe. E as respostas não tardaram: "Não posso, tenho um papel para fazer"; "A Dra. Ana não me quer no atendimento"; "Estou doente"; "Também vou sair mais cedo"; "Não me pagam para isto"; "Tenho muito trabalho". 

Sem ninguém para substituí-la, não teve outra hipótese senão dirigir-se ao balcão.

Mas a Raquel, já não era a Raquel. E quando alguém lhe perguntou a que horas encerravam, ficou a contemplar o vazio. A pergunta ouviu-se de novo, mas o fenómeno já estava em curso. Uma força desconhecida começou a sugar a Raquel cirurgicamente na zona do coração, um buraco negro que se abria e crescia, engolindo primeiro a rapariga e depois a loja com os respectivos clientes, alastrando ainda a todo o edifício. Quando parecia que iria devorar tudo à sua volta, o acontecimento cessou, ficando circunscrito ao local onde antes se encontrava a empresa.

As autoridades registaram a ocorrência e a zona foi invadida por astrónomos, matemáticos e toda a espécie de curiosos. Mais tarde, devidamente estudado e catalogado, depressa deixou de ser novidade. Colocaram-se então protecções nos seus limites, e passou este poço sem fundo a ser local de peregrinação de homens e mulheres zangados com os seus amores, que largavam no abismo fotografias, anéis e qualquer outro objecto que guardasse as memórias que queriam esquecer.

Thursday, November 10, 2016

João e o pé de feijão

Em Novembro, destacam-se os contos tradicionais na sala infantil. Plantei um feijão e nasceu um feijoeiro mágico!




Já que estamos numa de atrasos...

... aproveito também para publicar o destaque do mês dedicado à música. Modéstia à parte, o meu pianinho, feito em cartão, ficou um mimo!





Halloween!

Por lapso, esqueci-me de partilhar as decorações de Halloween cá da chafarica. Ainda que com grande atraso, cá estão elas:

A minha obra mais amada... já tinha visto isto há anos no pinterest e estava mortinha para tentar!

Aragog :)

O cantinho do prof. Snape

Sou tão potterhead...

Um leitor é sempre um leitor, mesmo morto!

O boneco construído para a actividade "O monstro das cores" foi reaproveitado!

Leituras de arrepiar...


Gostaram?

Wednesday, November 9, 2016

As histórias de terror do navio negro / Chris Priestley

Sinopse:

Na Velha Estalagem, sobre um mar tempestuoso, Ethan e Cathy esperam a chegada do pai. Entretanto, um marinheiro aparece em busca de abrigo.

Começa, assim, uma longa noite de histórias aterradoras… há algo neste homem que inquieta Ethan e Cath, mas não sabem o que poderá ser.

É então que o amanhecer abre os olhos das crianças para uma realidade ainda mais chocante e angustiante do que a das histórias que acabaram de ouvir.

Um livro assustador. Terás coragem para o ler?

Opinião:

Não é mau, mas está longe de ser um espanto. Acredito que possa ser apreciado por rapazes entre os 10 e os 13 anos, sobretudo se vibram perante histórias de piratas e marinheiros com algum macabro à mistura. A meu gosto, só a ilustração, em estilo gótico. De qualquer forma, não foi o que estava à espera, pelo que continuo à procura de um livro que, de facto, me dê arrepios. Aceito sugestões.

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PRIESTLEY, Chris

As histórias de terror do navio negro / Chris Priestley. - Lisboa: Arte Plural, 2012. - 192 p. - (Histórias de terror; 2)

Literatura inglesa -- romance de fantasia / Jovens -- ficção

ISBN: 9789896920289

CDU: 821.111-312.9 PRI

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Thursday, October 27, 2016

Harry Potter and the cursed child: parts 1 and 2 / J. K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne

Sinopse:

"It was always difficult being Harry Potter and it isn’t much easier now that he is an overworked employee of the Ministry of Magic, a husband and father of three school-age children.

While Harry grapples with a past that refuses to stay where it belongs, his youngest son Albus must struggle with the weight of a family legacy he never wanted. As past and present fuse ominously, both father and son learn the uncomfortable truth: sometimes, darkness comes from unexpected places".

Opinião:

Apesar da minha conhecida paixão pelo universo Harry Potter, parti para esta leitura sem grandes expectativas, não só por se tratar do guião de uma peça de teatro, mas também por ter encontrado inúmeras críticas que prometiam um verdadeiro desastre.

Para tirar teimas, não há como "ler" com os próprios olhos. E tenho a dizer que... foi maravilhoso regressar a este mundo de magia! É claro que não senti a mesma emoção quando li os primeiros 7, sendo a forma pouco propícia a isso - fica a faltar o trabalho dos actores! No entanto, senti um carinho enorme ao redescobrir os locais e as personagens que ficarão para sempre no meu imaginário. Há quem defenda que o guião deveria ser adaptado a romance, mas não poderia discordar mais! Esta foi uma forma genial de celebrar a saga sem mexer no que ficou feito e concluído. Clever girl, J. K.!



Não leva as 5 estrelas porque as viagens no tempo irritam-me tanto quanto me fascinam. Sinto sempre que há falhas nisto de ir e vir. Por exemplo, se o Albus e o Scorpius continuam com as mesmas memórias quando regressam da primeira viagem temporal, isso significa que não são afectados pelas alterações que as suas acções causaram no passado. No entanto, na segunda viagem, o Albus não regressa porque nunca chegou a nascer... enfim, incoerências que me provocam alguns nervos.

Gostei da temática pai/filho desentendidos (sempre actual); da amizade pura nascida entre filhos de dois super rivais; da chamada de atenção para a importância de aceitar as coisas más da vida, devendo o passado ficar onde pertence. E depois, a lagrimita no canto do olho ao reencontrar o meu querido Snape.

O pior é que agora já só consigo pensar em dar um pulo a Londres para ver a peça. Vou já começar a fazer um pé de meia!

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ROWLING, J. K., e outro

Harry Potter e a criança amaldiçoada / J. K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne. - London: Little Brown, 2016. - 327 p. - (Harry Potter; 8)

Literatura inglesa -- teatro / Ficção -- fantasia

CDU: 821.111-312.9

ISBN 9780751565355

COTA 82-2 ROW
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Friday, October 7, 2016

O lar da senhora Peregrine para crianças peculiares / Ransom Riggs

Sinopse: 

Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde encontra as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine. Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tivessem sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas… 

Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense.

Opinião:

Já andava a namorar este livro há uns meses só pelo aspecto gráfico, que é absolutamente fabuloso. Porém, terminada a leitura, custa-me dar-lhe uma avaliação concreta. Porque, se por um lado, nunca me senti absolutamente mergulhada na história, o que é sempre trágico tratando-se de fantasia, por outro, agradou-me a sua originalidade e o casamento perfeito das fotografias vintage com o enredo. Ou seja, senti que as ideias eram matéria prima da boa, mas que a forma de escrever do autor não esteve à altura. Não me entendam mal: achei o livro engraçado, mas não consigo parar de imaginar o que teria sido nas mãos de um Ruiz Carlos Zafón.

Além disso, houve uma coisa que me fez um pouco de confusão: estava à espera de encontrar crianças na ilha quando na volta já eram adolescentes. Fiquei sempre com essa ideia, e por isso, incomodaram-me os beijos trocados entre o Jacob e a Emma.

Assim sendo, suponho que poderei colocar o livro algures entre as 3 e as 4 estrelas, numa espécie de vórtice 3,5.   :D

Curiosidade:

No site, o autor confessa que adora coleccionar fotografias antigas, ou não fossem elas o ponto de partida desta história! Sim, todas as fotos usadas no livro são verdadeiras, "emprestadas dos arquivos pessoais de dez colecionadores, pessoas que durante incontáveis horas ao longo de anos reviraram montes desordenados de fotografias instantâneas em feiras da ladra, antiquários e vendas de garagem até encontrarem um pequeno número de reproduções invulgares". Podem espreitar algumas (não publicadas) aqui. Eu roubei as minhas favoritas, e agora não consigo deixar de pensar se um dia, daqui a muitos, muitos anos, alguma fotografia minha não poderá inspirar um romance!  :)






Agora é marchar para o cinema e ver o filme, que já se sabe, tudo o que tem o dedo do Tim Burton, só pode ser bom. Até estou à espera de gostar muito mais do filme do que do livro, coisa raríssima. Mas depois direi de minha justiça!

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RIGGS, Ransom

O lar da senhora Peregrine para crianças peculiares / Ransom Riggs. - Lisboa: Bertrand, 2016. - 334 p. - (O lar da senhora Peregrine para crianças peculiares; 1)

Literatura norte-americana -- romance de fantasia / Jovens adultos -- ficção

CDU: 821.111(73)-312.9

ISBN 978-972-25-3237-2

COTA 82-312.9 RIG
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Friday, September 23, 2016

Delicioso Bizarro: contos e outras histórias #1 História de vida

No bairro onde vivia, inaugurou-se um restaurante. Fanática por comida italiana e atraída pela decoração cuidada, pensou que seria o local ideal para uma jantarada com amigos ou família.

Os anos passaram e nunca lá foi.

O estabelecimento faliu.

Shiver: um amor impossível / Maggie Stiefvater

Sinopse: "Sam e Grace são dois adolescentes que vivem um amor sublime e aparentemente impossível. Todos os anos, quando chega a Primavera, Sam, abandona a sua vida de lobisomem e recupera a forma humana, aproximando-se de Grace, mas sempre que regressa o Inverno, vê-se obrigado a voltar à floresta e a viver com a sua alcateia. Quando olha pela janela de sua casa, na orla da floresta, Grace repara sempre num lobo que a fita com os seus misteriosos olhos amarelos e sabe que é ele, Sam, o seu salvador. E Sam observa a sua amada de longe, ansiando pelo retorno da Primavera. Conseguirá o seu amor, cada vez mais intenso, vencer os muitos obstáculos que ameaçam separá-los para sempre? Uma história cheia de aventuras e descobertas, mágica, original, que desafia a mente e enternece o coração".

Opinião:

As primeiras páginas pareceram-me bem, pois achei aconchegante e ligeiramente poética a forma de escrever da autora. Porém, à medida que a história foi avançando, o meu interesse diminuiu. É fantasia ao estilo "mais do mesmo", em nada original, e pior, com semelhanças escandalosas à série Twilight. Ou seja, não apreciei, mas como tenho à mão os restantes volumes e não gosto de deixar nada a meio, vou arriscar o segundo. Para acabar, só queria mesmo dizer que acho irreal que uma adolescente esconda o namorado no quarto sem os pais darem por nada. Porque podem ser distraídos e um pouco desligados da realidade, mas não são estúpidos. Ah, e também não encaixei bem os poemas do Sam (confesso que, a partir de certa altura, li todos na diagonal). E é isto. Não acredito que a coisa se componha, mas pronto, siga o próximo!

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STIEFVATER, Maggie

Shiver: um amor impossível / Maggie Stiefvater. - Lisboa: Presença, 2011. - 439 p. - (Os lobos de Mercy Falls; 1)

Literatura norte-americana -- romance de fantasia / Jovens adultos -- ficção

CDU: 821.111(73)-312.9

ISBN 978-972-23-4451-7

COTA 82-312.9 STI
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